Num impulso fomos dormir a esse quarto de hotel. No corredor, à entrada do quarto, eu larguei a tua mão e empurrei-te contra a parede. Quando te pus a mão no rosto, a segurar-te e a esperar que os teus lábios se abrissem, posso dizer que senti as luzes esmorecerem. Nesse desmaio de luz, e antes que fechasses os olhos à procura da minha saliva, eu disse “língua”, disse “lábios”, disse “dedos”, disse “pele”, disse “pescoço”, disse “ombro”. Disse-te, de lábios colados aos teus, “encontra-me”.

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