Saturday, 14 June 2014

#32




























Quando o silêncio termina, ouço o som do vento atrás de mim. Quando sinto nas costas um empurrão não é o vento que me empurra. É o som que esse vento faz. O som que sai do vento cresce e consegue ser palpável, consegue ser um par de mãos nas minhas costas, consegue  ser o impulso que essas mãos transmitem ao meu corpo. Mãos, corpo, caminho. Corpo, caminho, destino, escolha.

Ainda que empurrado pelo som que o vento faz -  e porque não quero resistir - não receio o outro lado desta porta. Dou os passos necessários para a atravessar. Quando o outro lado me absorve e, por isso, me habita, tenho à minha volta os vultos, as manchas, as sombras e todas as criaturas dos meus sonhos. 

Agora e sempre sou a tua travessia.

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